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3 de Março de 2026
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Art4Skin: onde a pele se encontra com arte e a imperfeição se transforma em beleza

 

Saúde – A dermatologista Sónia Coelho inaugurou o consultório na Rua Direita, um espaço que alia cuidados de saúde a uma forte ligação à arte, com o objetivo de oferecer uma abordagem única no tratamento das doenças da pele.

No coração histórico de Viseu nasceu o ART4SKIN, um espaço único que une a ciência da Dermatologia à força transformadora da arte. Fundado pela dermatologista Sónia Coelho, o projeto concretiza um sonho antigo: criar um espaço de saúde diferenciado, onde cuidar da pele seja também cuidar da história e da essência de cada pessoa.

Licenciada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Coimbra, Sónia Coelho dedicou 25 anos maioritariamente ao Serviço Nacional de Saúde, entre Coimbra, Aveiro e Viseu. Contudo, por se sentir desalinhada com a crescente lógica de rentabilização e a falta de foco no doente, decidiu dedicar-se exclusivamente à medicina privada na sua cidade natal, dando vida a um consultório com filosofia muito própria.

“A pele é a nossa memória viva. Nela ficam inscritas as marcas do tempo, da vida e até das emoções. O ART4SKIN nasceu da convicção de que essas marcas não devem ser apagadas, mas compreendidas, integradas, cuidadas e, muitas vezes, celebradas”, afirma.

No ART4SKIN, a Dermatologia clínica e estética convivem lado a lado. O consultório oferece consultas de Dermatologia Geral e Pediátrica e dispõe de diferentes equipamentos de laser para tratamento de patologias dermatológicas, bem como para rejuvenescimento cutâneo.

Mas o espaço vai além da vertente clínica: aqui, o silêncio, a arte e a contemplação fazem parte da experiência terapêutica. As paredes acolhem uma exposição do arquiteto e artista plástico LU.S (@pauloluis.art), criando uma atmosfera imersiva onde saúde e beleza dialogam com a criatividade.

“A arte é uma ponte para o autoconhecimento. Ao entrar no Art4Skin, os doentes são convidados a abrandar, a respirar, a olhar para dentro de si. A pele é uma ponte do invisível que é o nosso interior. Muitas doenças dermatológicas refletem desequilíbrios emocionais ou orgânicos e, por isso, acredito que a arte pode ser usada como ferramenta terapêutica, ajudando os doentes a viverem o aqui e o agora, num registo mais contemplativo e menos automático, integrando o que podem fazer para melhorar a sua saúde como um todo — nomeadamente a qualidade do sono, a alimentação, o desporto, os afetos e os pensamentos”, sublinha.

Inspirado em três conceitos da filosofia japonesa — Ikigai (propósito de vida), Wabi-Sabi (a beleza da imperfeição) e Kintsugi (a valorização das cicatrizes como parte da nossa história) — o consultório transmite uma mensagem simples e profunda: não existe perfeição, mas existe beleza em tudo o que é autêntico.

“Cada ruga, cada cicatriz, cada marca faz parte da nossa identidade. Aqui, queremos que os doentes sintam que podem cuidar de si sem negar a sua história”, explica Sónia Coelho.

A localização também tem um significado especial. O consultório tem entrada pela Rua da Árvore e prolonga-se até à Rua Direita, com montras dedicadas à arte — um ponto de encontro entre saúde, criatividade e o coração histórico da cidade.

O projeto abriu há apenas quatro meses, mas já conquistou a confiança de antigos pacientes e de muitos novos.

“Mais do que um consultório, quis criar um espaço de proximidade, onde ciência e humanidade se encontram, uma nova forma de cuidar, desconstruindo padrões. Como costumo dizer: quando padrões são quebrados, novos mundos são criados. O ART4SKIN é exatamente isso — um novo mundo em Viseu. Que venham mais…”


3 de Março de 2026
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JORNAL DO CENTRO

Envelhecimento da pele
por Sónia Coelho

O envelhecimento da pele é um processo natural e fisiológico incontornável. Com o passar dos anos observamos alterações da pele da face e do corpo determinadas geneticamente, designado envelhecimento intrínseco e também decorrentes do ambiente em que vivemos e das nossas escolhas de vida, denominado envelhecimento extrínseco.

Coloca-se a questão se realmente podemos ter alguma interferência no nosso processo de envelhecimento. A resposta é afirmativa havendo uma influência determinante do indivíduo. Generalizou-se que atrasar o envelhecimento é dispendioso, contudo há que desmistificar esse conceito. As medidas preventivas são as que maior repercussão terão no futuro, devendo ser implementadas desde a infância, idealmente veiculadas, tanto no ambiente familiar, como no escolar.

A realização de alguns procedimentos minimamente invasivos, em ambiente Médico especializado, permitirá também devolver à pele um aspeto mais jovem.

O interessante do conceito “anti-aging”, tão debatido na atualidade, é ter impacto na saúde geral do indivíduo e não apenas na da pele. É um termo impreciso, dado que não se está a combater um fenómeno natural e enriquecedor como é o envelhecimento, mas sim a promover-se um envelhecimento consciente e equilibrado, inconciliável com procedimentos estéticos exagerados ou estilos de vida rígidos, nos quais o indivíduo norteia as suas rotinas em função de um ideal de beleza que não existe.

Como Dermatologistas, teremos algum papel na mudança desta tendência social de viver para a imagem corporal, em alguns casos observada desde a adolescência? Acreditamos que sim, em campanhas de saúde e na prática clínica do dia a dia, desmistificando informações falsas e redundantes, tentando apelar para a beleza natural do ser humano e para a importância de valorizar um envelhecimento consciente, estruturado pela ciência e pela inteligência emocional.

As medidas gerais para redução do envelhecimento prematuro passam pela proteção solar desde a infância, procurando sombras e recorrendo a vestuário de proteção e a bons filtros solares. Podemos ter um aspeto bronzeado sem necessitar de passar horas ao sol. Existem auto-bronzeadores e suplementos vitamínicos que conseguem dar uma tonalidade bronzeada à pele, sem riscos. O tabaco e o álcool são catalisadores do envelhecimento prematuro com repercussões enormes na pele, devendo ser evitados.

Exercício físico moderado e uma dieta mediterrânica, rica em vegetais e frutas, com as suas conhecidas propriedades anti-oxidantes, eliminando ao máximo açúcares e gorduras, são outras medidas muito impactantes. O “skin-care” tão comentado, envolve uma limpeza diária e o recurso a produtos ajustados ao tipo de pele e idade, sempre sem exageros, idealmente sob orientação médica.

Em conclusão, sentir-se jovem é um estado atingível quando nos identificamos com a nossa pele, a nossa filosofia de vida e com a forma como interagimos com o mundo.

Sónia Coelho, Dermatologista no Hospital CUF Viseu


3 de Março de 2026
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Cuidados com a pele em idade pediátrica

Sónia Coelho

Dermatologista no Hospital CUF Viseu

Vivemos numa sociedade na qual as preocupações dos pais com a criança e o seu bem estar são crescentes. A diversidade de informação veiculada nos diversos meios de comunicação exponencia as dúvidas dos cuidadores, aumentando assim o interesse e necessidade de esclarecimento com temas como os cuidados com a pele dos mais novos.

Guiar os pais nas rotinas cutâneas diárias, que se pretendem seguras, simples e eficazes, é sem dúvida, uma estratégia de saúde importante, com impacto significativo na sua vida adulta, dada a construção de associações positivas relativamente ao bem estar e equilíbrio deste grande órgão que nos reveste. Contribuem para a saúde da pele, não só os cuidados cutâneos locais e a relação cautelosa com o sol, como também a hidratação oral e uma dieta equilibrada, rica em vegetais, frutas e lípidos saudáveis.

Sabemos que algumas práticas enraizadas na cultura e comunidades locais podem comprometer a saúde da pele das crianças sendo importante a existência de recomendações médicas gerais.

A pele é a primeira linha de proteção e no caso dos mais novos caracteriza-se pela sua maior fragilidade, dado ser mais fina, menos capaz de reter água e mais sensível comparativamente à pele do adulto. Estas características tornam-na mais suscetível a alergénios, irritantes e alterações de temperatura, motivo pelo qual deve haver a preocupação dos cuidadores em evitar ambientes termicamente hostis e o contacto com substâncias potencialmente irritantes e alergizantes.

Os objetivos fundamentais são a limpeza suave da pele, a proteção da sua função barreira e a evicção da maceração das pregas e do contacto com substâncias potencialmente agressivas.

Recomenda-se o banho diário em todas as idades pediátricas e alturas do ano podendo, eventualmente, em zonas do globo muito frias, realizar-se em dias alternados. Os mesmos devem ser preferencialmente de duche, no máximo de 10 minutos com água tépida evitando ao máximo temperaturas elevadas. Deve usar-se um óleo ou um syndet líquido, por não alterarem a barreira cutânea nem o pH ácido da pele, ao contrário dos sabões que são totalmente desaconselhados. A pele deve ser bem seca após o banho, idealmente com toalha aquecida nos meses frios, seguida da aplicação imediata do creme emoliente, que irá “selar” a mesma, permitindo prolongar a hidratação fomentada pelo banho, reforçando assim a barreira cutânea e prevenindo o aparecimento de dermatoses. Em pele com patologia não se aplicam emolientes devendo seguir-se as recomendações médicas.

Outro elemento a considerar diariamente é a proteção solar por intermédio de vestuário e recorrendo a fotoprotetores que devem ser aplicados meia hora antes da exposição, renovando a cada duas horas. As formulações em gel e muito líquidas são desaconselhadas pela sua menor eficácia bem como aquelas compostas por fragrâncias e outros ingredientes menos seguros. A escolha entre filtros químicos e minerais não é linear sendo determinada pela idade e tipo de pele da criança.

A comunidade dermatológica tem alertado para o crescente relato de adolescentes que utilizam um elevado número de produtos nas suas rotinas diárias, alguns com composições desaconselhadas para a sua idade e tipo de pele, podendo condicionar acne cosmético, dermatites periorais e outras patologias. A recomendação é o recurso a poucos produtos sob orientação médica, sobretudo em caso de dermatoses associadas.

É frequente a procura pelos pais de aconselhamento médico especializado, em consulta de Dermatologia Pediátrica relativamente aos cuidados quotidianos com a pele dos mais novos. Estes são facilmente assimiláveis pelos cuidadores e com o crescimento da criança também executáveis pelas mesmas. Esta simplicidade será a base da adesão e de uma percentagem crescente da população com uma pele saudável e cuidada.


3 de Março de 2026
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A pele é o nosso invólucro e no caso das crianças caracteriza-se por ser mais fina, sensível e predisposta à desidratação, características que a tornam mais vulnerável que a pele dos adultos. É por isso importante conhecer os cuidados a ter e quais os sinais que devem motivar a procura de um especialista. Sónia Coelho, Dermatologista Pediátrica no Hospital CUF Viseu, explica-nos tudo sobre este tema.